Sábado, 9 de Junho de 2012

2000... a selecção genuinamente portuguesa

Muitos mais se lembrarão da caminhada portuguesa em 2004 do que a de 2000. Muitos mais se recordarão com maior entusiasmo o jogo frente à Inglaterra no Estádio da Luz do que o jogo, quatro anos antes, em Eindhoven. Não há como negar que o resultado palpável de uma final é melhor que uma meia-final, mas como tenho mais saudades da selecção de 2000...

 

Sejamos sinceros, Scolari teve duas virtudes: a de saber dar a mão à palmatória a tempo (após derrota frente à Grécia na 1ª jornada) colocando o meio-campo do Porto de Mourinho mais rotinado e a de acabar com o fado lusitano sempre à procura de uma desculpa para vitórias morais. Ganhou-se algum estofo de campeão, mas perdeu-se o futebol. Em 2006, ainda houve Maniche e Figo, mas a selecção foi lentamente perdendo brio e identidade.

 

A selecção de 2000, essa era um luxo ainda que sem o tal estofo. Figo, Rui Costa e João Pinto a que se juntou a única revelação de todo o Euro 2000, Nuno Gomes, era um ataque de sonho para o que se pretende de Portugal. Passe curto, jogo bonito e uma equipa à frente de qualquer individualidade. Eles faziam uma verdadeira equipa desde Riade e Lisboa. Paulo Bento esteve com eles, devia fazer todos os possíveis para devolver esta identidade, mas Hugo Viana não faz parte dos seus planos e André Martins parece que é demasiado novo para ele.

 

Estes campeonatos são feitos de muitos "ses", mas não vejo como a selecção de 2004 ou 2006 pode ser melhor que a de 2000. Convenhamos que entre 2002 e 2006, não houve nenhuma grande selecção a nível mundial. Tivesse existido e não havia uma Grécia campeã europeia (sim, eles estavam longe de ser realmente bons para aquilo que fizeram)...

 

Em 2000, havia a França, porventura a Itália seria uma selecção que ainda teríamos dificuldades de enfrentar. Foi Johan Cruijff que disse que a França era a melhor equipa, Portugal a que apresentava o futebol mais bonito. Foi também esta lenda que disse que o mais importante para o Mundial seguinte não era ser candidato mas preservar a identidade. Porque ninguém ligou a Cruijff?

 

Depois de 2000, começaram logo a trocar Nuno Gomes por Pauletas e Hugos Almeidas como se uma selecção fosse o somatório de 11 jogadores. Mais tarde, troca-se Figo, Rui Costa e mesmo Deco por médios não criativos e extremos-avançados. Oh selecção...

 

(Minuto 2:48... é o golo e muito mais, todo um futebol)
escrito por João Saro às 16:48
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