Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011

A greve do pensamento

(foto: czaradox.blogspot.com)

 

De um lado a esquerda a apelar contra os que faltam à greve e indignados com a violência da polícia, do outro a direita a dizer que a greve não serve para nada, só prejudica o país e são uma cambada de arruaceiros. Cada ala segue o caminho mais preguiçoso de se manifestar como claque de futebol sempre a reclamar do árbitro antes de se virar contra o treinador. Ambas também fizeram greve de pensamento contrutivo (e não apenas no dia de ontem).

 

Há blogs a serem realçados, pela a sua abordagem moderada numa "selva blogosférica". Fica aqui, pelo menos, um deles: http://adoutaignorancia.blogs.sapo.pt/). Ultimamente, também ando a voltar a gostar de ouvir Pacheco Pereira. Sem dúvida alguém que pensa nas coisas com mais profundidade do que a média, mas que tende, ele próprio, a cair muitas vezes nesta preguiça de barafustar por clubismos (mas quem não faz isso?) Neste tema, convinha-se dar um bocadinho de mais atenção ao opinador, mesmo que não gostem da figura.

 

Concluído o 24 de Novembro e uma semana de guerrilha do pró e anti-greve, desmultiplicam-se, agora, os de esquerda a barafustar contra a manipulação da informação, que a violência partiu dos polícias e até já conseguiram provar que toda a violência dos manifestantes, ontem, foi uma conspiração da força policial. Da direita, são os arruaceiros que deviam era levar umas mocadas ainda maiores porque deviam era ir trabalhar. É análise dos casos polémicos de cada jogo aplicada à política.

 

Basicamente, é um "ou estás connosco ou estás com eles"... "ou apoias a revolução "da nossa" maneira ou és fascista".

 

Coisas simples deviam ser interiorizadas por todos nós para isto ser uma democracia mais à séria. Como vi escrito algures: "A greve é um direito, não é um dever". É não só um direito, como é essencial no equilíbrio de forças sociais, mas não é um dever e tentar impedir que outros trabalhem é tão anti-democrático como se impedir que se faça uma greve. Devia até ser simples, mas esquecemo-nos disto.

 

Ontem, certamente, houveram abusos de parte a parte. De certa forma, é natural que aconteçam alguns desacato, embora não perceba a desresponsabilização da violência (venha ela da ala manifestante ou policial) que é feita de parte a parte.

 

Infelizmente, e o mais infelizmente disto tudo, temo que as greves, da forma como são feitas, não sirvam os seus reais interesses. CGTP e UGT, sempre com as mesmas figuras, ano após ano, entram numa luta de números com o governo em vez de realmente tentarem fazer luta por medidas que pudessem ter efeito prático. São os sindicatos que temos e talvez o que merecemos da nossa participação democrática.

 

Um dia, quando realmente nos importarmos com o assunto, talvez deixemos-nos de brincar às greves e faremos uma "à séria". Talvez no mesmo dia em que teremos fizermos sindicatos "à séria".

 

escrito por João Saro às 16:04
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