Quarta-feira, 5 de Setembro de 2012

A minha dívida para com Roddick

 

O adeus de Roddick nos courts acabou de acontecer há instantes, mas foi ele que, há quase 10 anos, me puxou mais para dentro deste desporto. Não foi o meu primeiro idolo no ténis, mas foi o primeiro que acompanhei a par e passo a sua carreira.


Em 2003, ainda no secundário, tinha um horário com uma particularidade às quartas-feiras: tinha apenas duas horas de aulas logo nos primeiros turnos. Às 11 horas e qualquer coisa já estava em casa e foi assim que tive a oportunidade de ficar agarrado ao encontro de ténis com o maior número de jogos no 5º set, pelo menos até então. Do outro lado estava o marroquino Younes El Anayoui, o jogador que tinha visto nas notícias por derrotar o número 1 mundial na ronda anterior. Encontrei o jogo a 5-5 no quinto set e pensei que estivesse prestes a terminar... sabia tanto deste desporto, na altura, que não sabia que na maior parte dos Grand Slams não há tie-break no último set.


E durou, durou... durou tanto que os jogadores fizeram uma pausa para os apanhas-bolas jogarem (vídeo)... e continuou a durar até ao 21-19 (vídeo). Foram mais de duas horas entre a parte que o jogo devia estar a terminar e quando terminou de facto.

 

Eu gostava de ténis antes deste encontro, o meu primeiro ídolo fora Gustavo Kuerten e com ele já vira outros grandes encontros, incluindo duelos com Sampras e Agassi. No entanto, foi este que me fez ir à procura de mais e não ficar à espera da raras vezes que passava na tv ou aparecia nos jornais. Na altura, só havia uma hora de internet por dia, uma eurosport, uma sporttv e as transmissões de ténis eram um bocado mais limitadas pelo tempo. Passei a devorar tudo o que podia das "bolas amarelas".

 

Andy Roddick era a desculpa, tornando-o no meu jogador favorito. Não era o mais dotado já na época (demorei um bocado a perceber isso, mas... não percebia grande coisa do jogo mesmo para além das regras), mas pude então vibrar com a sua melhor época. Arrasou o verão norte-americano e conquistou o Grand Slam em "casa" (vídeo). Foi número 1 mundial desse ano, mas seguiu-se o eterno "número 2" até à aparição de Nadal.

 

Olhando para trás, Roddick teve talvez a carreira que mereceu... apenas uma vez o ténis foi injusto para com ele. O míudo Roddick sempre tivera quatro sonhos: ser número 1, vencer a Taça Davis, vencer o US Open e... vencer Wimbledon. Mereceu ser detentor dos três primeiros, ainda que feitos "efémeros", mas escapou-lhe o último. Talvez até 2009, não pudesse reclamar esse sonho, mas Wimbledon desse ano merecia ser seu... a única vez que fez por merecer derrotar Federer num grande jogo (vídeo). Não conseguiu por uma "unha negra"...

 

Provavelmente, senão fosse Roddick e El Anayoui, iria encontrar noutro encontro a desculpa para seguir afincadamente o ténis, mas talvez tivesse perdido tempo para ver grandes pancadas (video), excelente sentido de humor na derrota (vídeo, vídeo), um desportista que foi várias vezes ao chão e que fez questão de se levantar todas as vezes e muito mais. 

É por isto que fico com uma eterna dívida ao Roddick. Pelo seu humilde exemplo.

escrito por João Saro às 23:03
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