Quarta-feira, 27 de Março de 2013

A ironia do protesto

Falei dele há umas semanas e se calhar nem vai parar ali no blogroll. O Malconfort já não sei se vai ter muito seguimento.

 

Há uma semana deparei-me com a indignação sobre dois miudos (21 e 22 anos) de Economia terem sido contratados para técnicos especialistas de acompanhamento do memorando. Eles são alunos com licenciaturas terminadas (pós-graduações?) com notas acima da média e parece que já estagiaram uns meses à pala num gabinete do Min. de Economia e, pelos vistos, lá fora com programas como o AIESEC. 

 

É um tacho de certeza. São jotas do PSD que garantiram apenas com o cartão de militante... 

 

... os seus nomes são escarrapachados nas redes sociais como o último exemplo da cunha.

 

Mas é um tacho que não chega a mil euros brutos de pessoas qualificadas acima da média na sua área com meses de experiência através de estágios curriculares. Esta viralidade de indiganção nas redes sociais esquece-se que um licenciado - no caso do TMR - com 16 valores de nota final (19 no Secundário) formado nos anos certos facilmente consegue um lugar numa qualquer consultora privada por valores maiores.

 

Neste caso, apenas tenho de fazer a ressalva de não saber bem as formalidades do processo, mas achar que estas condições de entrada são um tacho político é o exemplo perfeito das redes sociais e como conseguem distorcer muita coisa.

 

Tiago Moreira Ramalho 

 

Uma das primeiras coisas que me surpreendeu neste caso foi a idade do TMR. O nome apresentado nas redes sociais era o mesmo, mas seria ele? Acompanho há pelo menos 4 anos e tem agora apenas 21. 

 

Ora bem, eu não sei se ele tem cartão de militante ou não (nem o pessoal das redes sociais sabe, simplesmente pegou no DR e tem logo a certeza que sim porque vai ganhar 900 euros e qualquer coisa no Estado). Até pode ser que sim, até penso ter integrado um blog de apoio nas directas do PSD e na campanha de 2009. Mas esta "caça às bruxas" é ridícula. Eu não gosto muito do nome desta coisa da militância e em boa verdade a é na prática partidária (verdade, devia ser substituida por outro termo), mas este culto anti-militância é um problema cultural enorme na nossa democracia.

 

A questão é que é preciso não acompanhar a opinião dele para achar que é um "Yes Man" ou um típico jotinha. Ele já escreveu colunas de opinião no "I" e em muitos dos principais blogs políticos do nosso país. Não há praticamente ninguém que acompanhe a blosgosfera política que não o conheça. E, certamente, que não é para fazer fretes a partidos ou governos.

 

Desde o Corta-Fitas ao Malconfort, passando pel'A Douta Ignorância e muitos outros blogs. TMR não é certamente o mestre dos opositores a este governo, mas desde artigos em jornais a defender a demissão de Relvas (não porque é apenas cool, mas explicando) a outras críticas nos vários artigos dos seus blogs, não se percebe onde é que existe a tal "militância" nefasta que torna isto tudo num tacho.

 

 A ironia

 

O que é mais irónico nisto é que é a mesma malta que critica a falta de oportunidades para os jovens, os salários oferecidos (em parte, um argumento falacioso) e a falta de oportunidades, venha-se malhar em dois jovens qualificados acima da média por ganharem menos de mil euros.

 

Há algo que aqui ultrapassa a ignorância, porque se há algo de incorrecto nesta admissão não é o que saiu a público (currículo, tarefas e vencimentos). É a vontade de "malhar", de julgar na praça pública.

 

A falta de oportunidades. Curiosamente, a maior crítica lançada para irem para aquele posto é a falta de experiência como se fossem para um cargo altamente renumerado e de alta responsabilidade (penso que vão integrar apenas um gabinete do Min. das Finanças). Como se alguém por ter 21 anos não pudesse ter um emprego deste tipo a ganhar aquele valor.

 

Não só é ignorância como de repente se inverte o protesto.

 

Enfim...


... eu fiquei contente com esta entrada do TMR (o outro não conheço). Fico contente por ter, por dentro (?), alguém com cultura e pensamento crítico. Mesmo que ainda não tenha alguma experiência neste mesmo campo. Tivesse ele poder político e valeria mais do que muitos que estão lá com 40 e 50 anos.

 

Enfim, bom é que todos fossem "Tiagos Moreiras Ramalhos".

 

P.S.: O texto está mais "desagonçado" que o costume, mas foi muita coisa lida na última semana... e não foram geniais. Saiu tudo embrulhado.

escrito por João Saro às 14:40
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2 comentários:
De Tiago Moreira Ramalho a 27 de Maio de 2013 às 18:16
Caro João,

Cheguei a este texto através do link do seu outro texto e, enfim, queria muito agradecer-lhe. As redes sociais têm tanto de bom como de mau, de facto, mas há dias em que nos surpreendem especialmente :)

Aproveito para o esclarecer de que não sou militante e não participei em nenhum blogue de eleições directas, mas apenas no Jamais, de apoio para as legislativas, em 2009 (com 17 anos, na altura).

Um abraço,

Tiago
De J. Saro a 28 de Maio de 2013 às 14:33
Não tem de quê, a "fulanização" destas coisas já me mete um pé atrás, mas quando tudo o que se sabe sobre os vossos é aquilo que saiu no DR... parece-me que as pessoas não param para pensar um momento (daí achar muito irónico).

Sobre a militância, não sabia se era ou se não era, nem era o ponto principal do post, mas lá está... as redes sociais davam como certo. É bom dizer que não foram só as redes sociais, li notícias em jornais a tratar o caso (qual caso?) da mesma forma.

E bons posts no "Atentado Ao Pudor".

Abraço

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