Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012

Senna (2010)

Curioso que, apesar de nunca ter tido Ayrton Senna como ídolo que fora para muitos, eu também sei onde estava no dia em que Senna morreu. Até aquela altura não sabia muito de Fórmula 1, passava no Canal 2, mas ainda nem 10 anos tinha. Poucos meses depois comecei a acompanhar a era de Damon Hill, Jacques Villeneuve e, sobretudo, de Michael Schumacher. Durante alguns anos (praticamente o resto dos 90's), gostei de Fórmula 1, mesmo não tendo aquela característica que fica bem a qualquer macho latino que é discutir a cilindrada de carros. Até hoje, nem sabia que Alonso, Schumacher, Hamilton e Massa ainda andam por lá. Convenhamos que este desporto também entrou no século XXI a partir para o declínio.

 

Voltando a Senna, vi esta semana o filme documentário. Confesso que conhecia pouco do brasileiro, apenas me lembro do fatídico ano de 1994 em que se tornou num "mártir". Lembro-me de ir em família ver o Benfica-Porto ao velho Municipal de Coimbra e de um primo meu ter comprado, não a bandeira do Benfica, mas do Senna. Era como o Che Guevara das t-shirts, qualquer banca tinha material alusivo a ele. Nunca me preocupei muito em saber o que tinha de tão especial, mas sabia que tinha algo e não era apenas por morrido novo e em plena pista.

 

O documentário já me tinha sido recomendado vivamente e é quase redundante falar (muito) bem do mesmo. Está muito bom e é difícil ficar indiferente a tanta emoção. O que fiquei a saber foi que Senna não era um mero campeão, mas era candidato a ser daqueles desportistas eternos como se tornaram Tiger Woods, Maradona, Schumacher ou Muhammad ali. É engraçado ver apenas parte da carreira dele, ainda que em filme (e, portanto, logo sempre mais romanceado), e perceber que a F1 com ele tinha o triplo da emoção e que era sempre mais complicado adormecer num domingo à tarde ao som de motores a sair pela televisão.

 

Entre a genialidade e a loucura, ele queria ser campeão do mundo, mas ao viver todo aquele ambiente que é fantasia para quase todos já só sentia saudades dos tempos dos karts. Curioso que apenas um mês antes, um ídolo meu de adolescência tenha também morrido e, como tudo, existem algumas parecências. Kurt Cobain, certamente, também quis ser um rock'n'roll star, mas ao viver só quereria voltar aos clubes pequenos onde não tinha editoras e imprensa que deturpavam a inocência do prazer que tinha.

 

Agora percebo melhor porque ele era o ídolo que era para milhões. Senna queria apenas competir pelo prazer de pura condução. Era disso que sentia saudade. Ele não queria ganhar apenas, queria andar mais rápido possível... até perceber que um campeão normalmente tem de jogar à defesa e na secretaria. As imagens captadas após o GP do Japão de 90 em que volta a ser campeão após um acidente com Prost captam todo este conflito entre ser o melhor e a incapacidade de o ser sem deixar de lado a pureza da coisa.

 

 

 

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escrito por João Saro às 19:48
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