Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012

Pedro Santos Guerreiro explica

Quando se tem Pedro Santos Guerreiro a explicar no editorial do Jornal de Negócios o que realmente valem as polémicas nacionais, pouco há mais a dizer. Sobre dois temas, acerta em cheio, mas na blogosfera política portuguesa já se luta para ver qual dos textos tem mais êxito pois parece que um texto é de direita e outra é de esquerda (?!?!?).

 

O primeiro texto (dizem que é o de direita) é sobre a polémica em torno da emigração da holding da Jerónimo Martins (e não da Jerónimo Martins em si, que na boa verdade também já emigrou boa parte do seu "corpo" há algum tempo), data 3 de Janeiro:

Só há um antídoto contra a especulação: a informação. É assustador ver tanta opinião instantânea sobre o que se desconhece. A sede de vingança tomou o lugar da fome de justiça. O problema não está na rua, nas redes sociais, nas esquinas dos desempregados. Está em quem tem a obrigação de saber do que fala. Do Parlamento, de Ana Gomes, de António Capucho, dos que pedem boicotes ao Pingo Doce (para comprar onde, já agora? No Continente da Sonae que tem praças na Holanda? No Lidl, que as tem na Alemanha?).

 

Agora o segundo texto (dizem que é o de esquerda) sobre as nomeações na EDP:


As nomeações da EDP, como antes as da Caixa, são um mau sinal dentro da EDP e da Caixa, e são um mau sinal do País. Já não é descaramento, é descarrilamento. A indignação durará uns dias, depois passa, cai o pano sobre a nódoa. A nódoa fica. Quem é mesmo o macaquinho do chinês?

 

Se o caso da "Jerónimo Martins" é uma histeria em que parece que os portugueses acham que emigrar é anti-patriota. Pois é isto o que fica das reacções em si (salvo as devidas diferenças entre empresas e pessoas) ou então têm a haver com a qualidade de informação que foi transmitida pelos medias. Já o caso da EDP é mais grave e crónico. Directamente, nem se pode pegar pelo lado em que o Estado está a dar tachos, pois agora a empresa é totalmente (?) privada e não tem de dar justificação a quem contrata. No entanto, todo o processo de negócio da privatização fica sob suspeita sobre em que é que foi a moeda de troca para tanta gente ter aquele poleiro.

 

Eu até diria mais se soubesse mais que o PSG, mas fica só aquela frase dele "(...) Já não é descaramento, é descarrilamento (...)". Sobre este governo, parece que a política do "tacho" não mudou. O problema é que esta dança de cadeiras sem uma escolha política alternativa parece que, cada vez mais, caminha para algo que pode acabar feio. Sim, porque quando a democracia não funciona, legitima-se outras formas de governação mais perigosas.

 

Nota ainda sobre o caso da Jerónimo Martins: é preciso ter lata para vir dizer que só estão a "pagar" pelas opiniões/exposição política que o CEO teve nos últimos anos aquando das várias críticas ao governo anterior. Vi a entrevista de Dr. Manuel dos Soares à SIC Notícias (que inicialmente servia para outro propósito) e, apesar de não concordar com alguns pormenores aquando da sua opinião política, gostei muito das suas posições face a vários assuntos. Sobre a defesa em relação a ser a "paga" pelas suas posições disse o básico e mais que suficiente (citando por alto): "Eu sou cidadão português, pago impostos como qualquer outra pessoa, tenho direito de opinar como qualquer outro cidadão".

 

A explicação da mudança da holding está lá, para quem estiver interessado.

escrito por João Saro às 16:01
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