Sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

O Benfica joga no domingo

"Os ateus do futebol já fazem parte do folclore das competições internacionais de futebol em que Portugal participa. Para quem não sabe o ateísmo futeboleiro foi inaugurado por Pacheco Pereira e, entre coisas, consiste em passar todo o período das competições de futebol a falar sobre o quão irrelevantes elas são, da irracionalidade do gosto pelo futebol e sobre a forma como estes eventos distraem as pessoas dos assuntos importantes (por assuntos importantes, entenda-se, a política, a troika, o défice, o sacana do Sócrates e o demagogo do Louçã).
Tenho que concordar com eles: a devoção irracional pelo futebol contribui de facto para que muitas pessoas se esqueçam por um período de tempo destes assuntos. Mas não é só o futebol: um bom livro, as séries de televisão americanas, as quecas, os bikinis, os jantares de amigos, um bom cabrito, o sorriso dos filhos são tudo aspectos da vida que, sem motivo racional, nos fazem esquecer desses assuntos “importantes”. Os ateus do futebol estão certos relativamente à relação causal, têm é as prioridades de vida trocadas." Carlos Guimarães Pinto em "Os ateus do futebol"

Porque diz o quanto baste sobre este assunto.

escrito por João Saro às 21:32
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Sexta-feira, 10 de Janeiro de 2014

O Logan deve ser da família do Alvin Tofler

 

Este é um míudo de 13 anos que os pais decidiram tirar do percurso escolar normal aos 9. Mesmo que fosse tudo farsa, pelo menos temos orador. No entanto, apesar de não podermos advogar que este caso será facilmente replicável (tem de ter uma estrutura familiar que de alguma forma - tempo, dinheiro e/ou cultura - o permita), sempre é um excelente alerta ao sistema e devia obrigar-nos a pensar em novos horizontes para a educação.

escrito por João Saro às 21:35
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Quarta-feira, 4 de Dezembro de 2013

Porque não ouvir Alvin Toffler?

A propósito de um vídeo da visita de Alvin e Heidi Toffler a Portugal em 2008. Fiquei entusiasmado com este pensamento, ainda que seja um desafio fazer esta mudança. Ainda que certas fórmulas de hoje não sejam descabidas (e não concebo deixar cair a avaliação), também acho que precisamos de novos conceitos e diversificação dos mesmos (porque temos de aprender todos da mesma forma?). 

 

Eles não deram a solução nesta paletra, mas é um bom começo de discussão:

 

 

Os libertários parece que gostaram da ideia e fica uma video mais ilustrado da coisa (foram mesmo inspirados pela visão de Alvin Toffler):

 



P.S.: Confesso as minhas reservas, no entanto, para a sugestão que não deve haver qualquer tipo de memorização. Penso até que é difícil substituir o essencial no que toca a Matemática e a outras disciplinas basilares.

escrito por João Saro às 02:48
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O facilitismo e o algodão do PISA


"As teses sobre o facilitismo eram, elas próprias, facilitistas." Pedro Sales no Arrastão

Confesso que a certa altura acreditei que o discurso sobre o facilitismo nas escolas era verdadeiro. Não sou grande adepto da disciplina e rigidez como pedras basilares do sistema educativo, bem pelo contrário, acho que as escolas pecam por não se renovarem e adaptarem-se às novas exigências, mas isso fica para um novo post.

 

Vem isto a propósito dos resultados do PISA e a aparente pequena vitória dos últimos anos da educação portuguesa. Não posso meter as "mãos no fogo" pelo PISA (OCDE) e os seus métodos , mas reputação tem e tem sido a maior referência internacional, aparentemente. Outro gráfico parece mostrar que a concorrência entre escolas não é relevante para o caso, pelo que presumo que mais que discutir "cheque de ensino menos cheque de ensino" pode não ser o essencial da questão.

 

Volto à questão do facilitismo. Antes destes resultados, apesar de nunca ter posto grandes certezas na tese do "facilitismo", comecei a desacreditar bastante na mesma. Não me tem parecido que as novas gerações tenham tido mais facilitismo que na minha época, talvez até pelo contrário, mas como o meu contacto é muito vago nesta área, é sempre algo que tento não argumentar com muitas certezas. Embora vivam num contexto com muito maior informação face a anteriores gerações (não foi quase sempre assim?) e tal possa ajudar, parece-me que mais uma vez a tese que "as novas gerações são piores que as antigas" vai caindo por terra.

 

Já tinham dito isso da minha, da anterior à minha e, de certeza, que disseram isso à geração dos meus pais.

 

Nós, velhos, gostamos sempre de superiorizarmos às novas gerações.

escrito por João Saro às 01:50
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Sexta-feira, 29 de Novembro de 2013

Rui Tavares e o Livre

Algumas das coisas mais inacreditáveis que tenho assistido ultimamente são os ataques (e respectivos argumentos) dirigidos ao novo partido da esquerda, o Partido Livre. Compreendo o vaticínio que o mesmo não vai ter sucesso e até algumas críticas de conteúdo ou estratégia, mas os ataques de que o este partido surge para o Rui Tavares garantir um "poleiro" (com a sua conotação negativa igual à de "tacho") no Parlamento Europeu ou até a argumentação de que há muitos partidos de esquerda são inacreditáveis se tivermos em conta que é o discurso que vejo em malta pela blogosfera e no twitter que fazem parte talvez de um grupo social informado e sem grande ligação partidária (isto é, sem ter um interesse directo em fazer "real politiks").

 

Sobre a conversa do "tacho", enjoa a conversa dignos dos nossos facebooks da desinformação (espero ver esta conversa da treta lá e evitar responder à maior parte das baboseiras que lá se metem). Fica um post do David Crisóstomo a explicar a parvoíce deste argumento, dado que o próprio Rui Tavares recusou uma solução fácil: candidatar-se pelo PS.


E se o Rui Tavares tivesse criado um partido porque os outros não o queriam? Ora bem, há uma coisa chamada democracia. Parece que custa a muita gente, mas os cidadãos portugueses são livres de se candidatar a vários cargos formando um partido (que tem de ter milhares de assinaturas, responsabilidades e financiamentos).


Por fim, o problema português não é existirem muitos partidos, é o facto de a maior parte deles estarem na mesma área política. Em Portugal, os cinco partidos/coligações regularmente eleitos fazem parte apenas de três famílias europeias. PSD e CDS estão nos Populares Europeus (PPE), o PS na Internacional Socialista e a CDU e o BE estão no GUE (Esquerda Unitária Europeia). Ora se o PPE e o S&D (Aliança dos Socialistas e Democratas Europeus) são claramente os dois maiores grupos parlamentares quer no Parlamento Europeu quer em boa parte dos países europeus, o GUE aparece no PE apenas como a sexta força.


A Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa (ADLE) é a terceira maior família europeia (fazendo parte até do arco de governação em muitos países) e não tem qualquer representação portuguesa que se adivinhe a curto-prazo. A quarta força vêm dos Verdes Europeus, a filial cá é um partido satélite do PCP (Partido Ecologista "Os Verdes) tanto que, no Parlamento Europeu, situa-se... no GUE. A quinta é a família dos eurocépticos (Reformistas e Conservadores Europeus).

 

Este partido aparenta encaixar nos tais Verdes Europeus ou numa linha próxima da social-democracia (mas não tanto do PS). Com o esgotar dos "temas fracturantes", o Bloco de Esquerda é apenas um conjunto de partidos de extrema-esquerda e vê com maus olhos a parte que quer o levar para uma social-democracia mais à esquerda. Com isto, surge um espaço vazio entre o radicalismo de esquerda (PCP e BE) e a social-democracia (PS). O Bloco é que está a mais neste momento, não sendo um partido entre o PCP e o PS. Mais, o Bloco nunca se dispôs a negociar coligações com o PS. Essa é que é a grande inovação da proposta do Rui Tavares.

 

Conclusão, em termos de clarificação política, este Partido Livre (não gosto do nome, mas pronto) é de salutar. Não é a minha área política, mas é positivo que haja um partido que vá pressionar o PS a clarificar as suas posições. Mesmo que não houvesse o tal espaço que expliquei acima, seria positivo por isto só.

 

Nota: estranho o pouco entusiasmo do Daniel Oliveira.

escrito por João Saro às 19:16
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Domingo, 24 de Novembro de 2013

Privatizações

Um dos argumentos contra privatizações mais usado é que essa empresa do Estado dá lucro e que estão a delapidar uma fonte de rendimento. Este argumento parece-me a última gota de água num copo a transbordar com uma discussão sem fundamento e sem discutir o essencial.

 

A minha resposta por instinto é que o lucro não é justificação para privatizar ou nacionalizar. Isto depende da organização económica que pretendemos. Obviamente, um comunista é contra qualquer privatização, tal com um anarco-capitalista é contra qualquer nacionalização, sendo ambos a favor do seu oposto. No entanto, para quem acha que há um mínimo de papel económico do Estado ou Mercado a ser distribuído, penso que jamais faz sentido dizer "dá lucro, deve ser estatal" ou algo do género. É fácil perceber, por essa lógica, que a mercearia da minha tia ou negócio de carros devia ser nacionalizado. Mas se tem lucro, quer dizer que, à partida, este serviço/bem pode estar bem num mercado liberalizado, ou não? Lá está, também não é assim tão simples, como vou explicar mais à frente.

 

Porque este argumento é utilizado, mesmo entre alguns comentadores? Poderia ser um mistério, mas acho que deve-se sobretudo a uma ausência de pensamento sobre o papel do estado na economia. A argumentação é por instinto e bastante primitiva. Pior, acho que têm razão os que falam de um país que quer apenas direitos e não deveres. Não gosto deste discurso básico, mas parece-me que é este o posicionamento da maior parte dos portugueses perante o Estado: é nosso quando nos toca a receber e utilizá-lo (serviços e bens), não aceitamos prescindir de qualquer serviço (mesmo que este fosse vendas de sapatos), mas não é nosso quando é para contribuir para o mesmo (impostos... embora ter uma empresa que dê lucro no Estado não esteja longe de ser um imposto). Outra componente deste discurso é a aversão ao lucro... como se este fosse imoral. 

 

Portanto, o lucro não interessa nada para o assunto, certo?

 

Depois de pensar um bocado, acho que pode (e, se calhar, deve) entrar na "equação", mas não da forma que tem sido feito. Se o lucro pode indiciar que pode viver bem num mercado liberalizado, a questão surge na "parte que não dá lucro". Serviços como saúde, educação, segurança, justiça, entre outros, colocariam em exclusão parte da população porque o mercado não garante lucro às empresas que forneçam nesses segmentos. É por aí terem prejuízo (e não lucro) que se entende que deve haver um serviço estatal do mesmo.

 

Outra razão possível é que mesmo dando lucro, sendo um monopólio natural ou com grandes barreiras à entrada de competidores, o mercado não garante a competição necessária. É uma questão bem mais complexa, sobretudo de chegar a uma conclusão em cada caso, mas é uma boa razão para pertencer ao Estado certos serviços. Um exemplo disso mesmo é a REN, não vão haver competidores a montar redes eléctricas ao lado para competir com esta, daí tornar-se um absurdo a sua privatização.

 

Devem haver mais algumas, mas estas parecem-me as principais razões para defender a nacionalização de um serviço ou bem. 

 

Surgiu esta questão ao longo do próprio longo percurso de privatizações em Portugal. O argumento fácil "vão vender outra empresa que dá lucro" que não tem cabimento na discussão surge sempre logo na "esquina". O último caso é os CTT. A empresa deve ou não ser privatizada por múltiplas razões, mas não por dar simplesmente lucro. É o factor comunicação e o seu valor subjectivo de serviço público que deve ser discutido.

escrito por João Saro às 16:54
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Sexta-feira, 6 de Setembro de 2013

Como é o primeiro-ministro, passa.

Salazar a rir-se.

 

Como é o primeiro-ministro isto passa sem ser um escândalo, o que é um bocado assustador porque está em causa um direito. Devem existir mil e uma leis retrógadas acerca deste assunto que vai confundir tudo, mas este caso está mal pelo princípio - um político não poder dar entrevistas em período de eleições, ainda por cima alheias - e piora quando não é aplicado a todos os intervenientes - ainda esta semana, António José Seguro falou sozinho num programa da TVI24.

 

A campanha oficialmente começa a 16 de Setembro, a Comissão Nacional de Eleições decidiu que o que conta é a data da marcação de eleições. Entre 3 a 4 meses, a política devia ficar em suspenso segundo esta.

 

Abusiva interpretação da minha parte? Eis as declarações do seu presidente sobre publicidade no Facebook:

 

"ideia é evitar pura e simplesmente que os candidatos façam propaganda de si próprios, das suas características ou potencialidades para ocupar os cargos a que se propõem"


Mas o que é isto? A CNE enloqueceu de vez. O discurso anti-política apoderou-se da Comissão Nacional de Eleições. Nada mais perigoso sendo a que coordena as eleições.

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escrito por João Saro às 16:53
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Quinta-feira, 11 de Julho de 2013

Viva...

... o semi-presidencialismo que eu acho que é mais semi-parlamentarismo e que nem os politólogos chegam a consenso sobre qual dos dois isto é.

 

Roubado via twitter ao @vascodcm
escrito por João Saro às 02:16
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Terça-feira, 2 de Julho de 2013

Eu tenho a solução...

 

PPC e PP encontravam-se em Belém - campo neutro, se bem que o árbitro é questionável - e jogavam uma partida de Mortal Kombat à melhor de três. Quem perdesse assumia as responsabilidades por isto tudo.

 

Obviamente, que só contam vitórias se fizerem uma fatality decente.

escrito por João Saro às 22:09
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Terça-feira, 25 de Junho de 2013

Paulo Portas

 

Nota-se a sua inteligência acima da média e a sua capacidade de análise na política, sobretudo a nível ideológico. Assertivo quanto a Cavaco (mas.. mas...), já nem tanto em relação a Salazar (análise um bocado leviana com um toque de admiração assustadora). Nada de novo, e sempre considerei que tem muitas semelhanças, nas virtudes e nos defeitos políticos, com Francisco Louçã. Uma espécie de "servem para deputados, são muito mais inteligentes que a média que ali anda, mas vade retro com a ideia deles na governação".

 

O mais importante neste vídeo é mesmo a parte inicial em que demonstra o seu desprezo pelos partidos políticos (não declarando, fá-lo à política implicitamente). Regra nº1: desconfiar dos Medinas Carreiras da tv.

 

Para a rir, mesmo só a parte do liberal (mesmo na economia).

escrito por João Saro às 17:56
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