Segunda-feira, 27 de Maio de 2013

Raquel Varela... Dra. Raquel Varela, pelo desculpa.

"(...) Mal compreendeu a Doutora Varela que o rapaz não era um intelectual com vasta obra publicada no estrangeiro, mas sim um vil burguês, mandou que se interrompesse o bailado. (...)"


"(...) o salário mínimo, ao existir, traz como consequência natural que algumas pessoas o recebam. Se ninguém recebesse o salário mínimo, isso significaria que o valor era tão baixo que nem os porcos exploradores o pagariam. O salário mínimo, digamos assim, está lá mesmo para «ser usado». Tem como objectivo vedar situações de exploração, entendendo-se, por isso, que pagá-lo não constitui exploração. Claro que podemos divergir quanto a isso, mas são as regras da sociedade. Se achamos que estão mal, devemos fazer-nos ouvir junto daqueles que as podem mudar e não junto daqueles que as aplicam. Espero que compreendam. Em segundo lugar, mesmo que se ache que o salário mínimo é pouco digno, não se pode atacar o Martim (ou qualquer pessoa na sua circunstância) por haver pessoas em fábricas a recebê-lo. O Martim muito provavelmente contratou um serviço a uma outra empresa e é nessa empresa que se fazem as negociações salariais. Considerar que o Martim (ou qualquer pessoa na sua circunstância) tem o dever de, antes de contratar a empresa, saber o que vai lá dentro é de uma alienação (palavras caras) tremenda.(...)


Tiago Moreira Ramalho in "O Atentado Ao Pudor"

 

Como sempre, a coisa mais eficaz que se faz por aqui é esperar uns dias sobre um tema popular e ver que texto aí na blogosfera é mais assertivo (que isto de escrever prosa dá trabalho e é para quem tem talento). Ora, no caso Martim/Raquel que aconteceu, há uma semana, nesse grande programa de debate sobre tudo e mais alguma coisa de seu nome "Prós e Contras" o melhor que encontrei foi Tiago Moreira Ramalho, o tal que tem um tacho de menos de mil euros por mês (ver nota), no recente blog conjunto (outra vez com Rui Passos Rocha).

 

A ver também as intervenções sobre o tema no Eixo do Mal, com abordagens bem mais interessantes do que se viu por exemplo no Governo Sombra. E sim, apesar de neste o puto empresário até ter saído como herói, Pedro Marques Lopes tem razão quando fala na aversão deste país a empresários e afins... aliás, esse é o mote da interpelação da Raquel Varela. Não estando no seu regime predilecto - o comunismo, em organização económica -, a mesma tem objecção de consciência a essa coisa de "iniciativa própria". Se existe e estão a ser bem sucedidos, é porque há "marosca" e são uns burgueses exploradores.

 

Enfim, ser académico é que é nobre que fazemos estudos sobre tudo e não exploramos ninguém.

 

Duas pequenas notas finais:

 

- Não foi de propósito, mas é mesmo irónico ter puxado o texto do TMR, esse tipo que tem um alto tacho no Estado de "900 e poucos euros" denunciado por algumas mesmas pessoas que abominam o salário mínimo nacional e a intervenção do que "é melhor que nada". Relembro o que disse na altura

 

"O que é mais irónico nisto é que é a mesma malta que critica a falta de oportunidades para os jovens, os salários oferecidos (em parte, um argumento falacioso) e a falta de oportunidades, venha-se malhar em dois jovens qualificados acima da média por ganharem menos de mil euros."


- É bom que o Martim dê uns belos royalties à Raquel Varela pelo aumento de vendas no curto prazo, senão a Raquel (Dra. Raquel, peço desculpa) passa a ser a maior explorada no meio disto tudo. Que belo presente que deu ao puto empresário. Cheira-me que ela deu um empurrãozinho nesta coisa do empreendedorismo.

escrito por João Saro às 17:25
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Quarta-feira, 27 de Março de 2013

A ironia do protesto

Falei dele há umas semanas e se calhar nem vai parar ali no blogroll. O Malconfort já não sei se vai ter muito seguimento.

 

Há uma semana deparei-me com a indignação sobre dois miudos (21 e 22 anos) de Economia terem sido contratados para técnicos especialistas de acompanhamento do memorando. Eles são alunos com licenciaturas terminadas (pós-graduações?) com notas acima da média e parece que já estagiaram uns meses à pala num gabinete do Min. de Economia e, pelos vistos, lá fora com programas como o AIESEC. 

 

É um tacho de certeza. São jotas do PSD que garantiram apenas com o cartão de militante... 

 

... os seus nomes são escarrapachados nas redes sociais como o último exemplo da cunha.

 

Mas é um tacho que não chega a mil euros brutos de pessoas qualificadas acima da média na sua área com meses de experiência através de estágios curriculares. Esta viralidade de indiganção nas redes sociais esquece-se que um licenciado - no caso do TMR - com 16 valores de nota final (19 no Secundário) formado nos anos certos facilmente consegue um lugar numa qualquer consultora privada por valores maiores.

 

Neste caso, apenas tenho de fazer a ressalva de não saber bem as formalidades do processo, mas achar que estas condições de entrada são um tacho político é o exemplo perfeito das redes sociais e como conseguem distorcer muita coisa.

 

escrito por João Saro às 14:40
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Sexta-feira, 8 de Março de 2013

(Boas) Leituras

Sobre a morte de Chavez:

 

"Santo Chávez e o pecado da soberba", por Daniel Oliveira no Arrastão.org

 

"Na Morte de Chavez", Bernardo Pires de Lima no DN e União de Facto

 

Sobre... nem sei bem o quê... uma generalidades camilenses sobre a utilidade:

 

"Os inúteis dos Camilos", por Tiago Moreira Ramalho no seu novo poiso Malconfort

 

É quase impossível chegar aos calcanhares do Medina Carreira (o mestre desta arte), mas estas simplicidades falsas de pensamento dos Camilos é confrangedora. O pecado capital do Camilo no tal vídeo é o mesmo quando ele acerta que nem todos os licenciados em História podem ser professores de história. Verdade, verdadinha, mas daí a desqualificá-lo passa para o absurdo... porque um "canudo" em História deve servir para muito mais coisas na nossa economia/sociedade.

 

Eu estava aqui a pensar explicar melhor o que penso sobre o assunto, mas boa parte já disse o TMR e tenho outro bom texto sobre o assunto:

 

"Na história", por Rui Tavares no Público

 

Boa parte do vazio político deste governo penso dever-se a este desdém que parece patente na (péssima) comunicação e liderança. Em certa medida, o desprezo pelos políticos que se expressa muitas vezes na rua está expresso igualmente ali. E esta sim, pode ser a "bola de neve" mais perigosa que temos no momento.

 

Sobre as facturas:

 

"Os bufos, as facturas e o meu pastel de nata", por Tiago Moreira Ramanlo no Malconfort (calma, já adicciono ali ao lado daqui a uns dias com direito a post especial)

escrito por João Saro às 14:50
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