Segunda-feira, 24 de Junho de 2013

Grândola



"Quando disse que era de Grândola, o homem que estava à sua frente voltou-se, agressivo. «E eu só dizia: mas eu não tenho culpa de ser de Grândola!» Ninguém tinha culpa, os símbolos são o que são."

 

Conheço pouco de Grândola. Na verdade, só conheço a IC1 e dois ou três restaurantes nas breves paragens entre Coimbra e Algarve. Mas, de certa forma, tinha um bocado desta ideia - "Vila Morena, a canção que dividiu Grândola" - sobre a terra e sobre a música. Apesar da passagem a símbolo ser usual e acarretar este tipo de histórias, as reinvidicações e leituras em volta desta música são muitas vezes desconhecedoras da história do próprio símbolo.

 

Nada de novo, é uma repetição a papel químico de quase todos os símbolos.

 

Este lado da "Vila Morena" é interessante por algumas coisas que disse aqui, em Fevereiro. Algumas formas de manifestações (tal como as que apelam a uma qualquer revolução... como se qualquer uma desse jeito) ursupam símbolos para um fim específico. E, a acreditar no texto, foi o que se passou em Grândola. A canção feita sobretudo como um agradecimento à terra de um amigo numa sua passagem por lá passou a ser símbolo de uma revolução (por ter sido escolhida como contra-senha por não fazer parte da lista da censura). A partir do símbolo estragou-se a genuidade da canção (em boa verdade, não completamente alheada de espírito político).

 

O PCP usava como se a canção fosse sua e os seus acérrimos militantes não perdoariam os desvios de esquerda de Zeca Afonso. "Caldo entornado", seriam os primeiros a manifestarem-se durante a actuação da mesma música na própria "Vila Morena". Sim, a mesma música que fora feita de agradecimento a essa vila. A mesma vila que Zeca se viu obrigado a agradecer e com a qual agora ficava magoado.

 

É inevitável a sua passagem a simbolo da revolução (até porque é uma boa música), mas a tentativa de reinvidicação da música para um partido ou sector não tem qualquer sentido. Como disse várias vezes, se isto das datas é para ser só para alguns, metam a revolução num dia a que me dê mais jeito. É como quem diz que isto dá sempre a asneira.

escrito por João Saro às 18:32
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Segunda-feira, 27 de Maio de 2013

Eu regulava também o tamanho das facas... não vá um psicopata almoçar num restaurante

escrito por João Saro às 17:20
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Quinta-feira, 4 de Abril de 2013

Too late...

... para tentarem disfarçar.

 

 

As questões que surgem será saber qual a influência que continuará a ter nas decisões do governo e se isto trata-se de uma última tábua de salvação perante o iminente chumbo. Mas a grande questão é mesmo: porquê agora?

 

Para efeitos de registo, a minha má impressão sobre Relvas está longe de ter o caso licenciatura como primeiro motivo (na verdade, irrita-me tanto quanto o caso Sócrates... são casos com um péssimo sinal, mas generalizados na cultura portuguesa). A má impressão começou quando ele agia como um primeiro-ministro e Passos como um porta-voz do governo. Depois o caso secretas que originou a mentira no Parlamento e a ameaça à jornalista do público são muito mais graves que o caso licenciatura. É curioso como a generalidade dos portugueses apenas se irrita com o caso licenciatura, porque uma boa parte dos mesmos com o poder do Relvas faria algo parecido...

 

Infelizmente, eu acho que a personagem Relvas não vai ficar por aqui... ou apenas até ser substituido por um novo.

escrito por João Saro às 22:49
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Quarta-feira, 27 de Março de 2013

A ironia do protesto

Falei dele há umas semanas e se calhar nem vai parar ali no blogroll. O Malconfort já não sei se vai ter muito seguimento.

 

Há uma semana deparei-me com a indignação sobre dois miudos (21 e 22 anos) de Economia terem sido contratados para técnicos especialistas de acompanhamento do memorando. Eles são alunos com licenciaturas terminadas (pós-graduações?) com notas acima da média e parece que já estagiaram uns meses à pala num gabinete do Min. de Economia e, pelos vistos, lá fora com programas como o AIESEC. 

 

É um tacho de certeza. São jotas do PSD que garantiram apenas com o cartão de militante... 

 

... os seus nomes são escarrapachados nas redes sociais como o último exemplo da cunha.

 

Mas é um tacho que não chega a mil euros brutos de pessoas qualificadas acima da média na sua área com meses de experiência através de estágios curriculares. Esta viralidade de indiganção nas redes sociais esquece-se que um licenciado - no caso do TMR - com 16 valores de nota final (19 no Secundário) formado nos anos certos facilmente consegue um lugar numa qualquer consultora privada por valores maiores.

 

Neste caso, apenas tenho de fazer a ressalva de não saber bem as formalidades do processo, mas achar que estas condições de entrada são um tacho político é o exemplo perfeito das redes sociais e como conseguem distorcer muita coisa.

 

escrito por João Saro às 14:40
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Sócrates

 

É só countdowns para a entrevista do Sócrates.

 

É motivo de elogios e indignação. Há quem suspire por ele e quem o considere o culpado de todos os males. 

 

Já nem sei o que diga. Tanto alarido em volta do regresso de Sócrates e acho que está confirmado que tomou o lugar de Salazar no imaginário político português.

 

Valha-nos isso, não é um passo em frente, mas é sempre um passo para um lado melhor.

 

escrito por João Saro às 14:26
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Quinta-feira, 14 de Março de 2013

Epá, gosto deste!

"O que está hoje em causa já não é a opção pela democracia, mas torná-la efectiva e participada." no Manifesto pela Democratização do Regime

Não sou grande fã de manifestos, sobretudo porque tendem a defender políticas programáticas que não ganham forma através de manifestos, apenas dentro de um sistema democrático (sejam em eleições, em partidos ou em políticos no activo). Não que seja mau fazer-se manifestos - manifestar opiniões políticas -, mas costuma soar-me a um "deixem-me aqui participar e fazer cidadania, mas sem fazer política que eu não gosto disso... pronto, já está: assinei um manifesto".

 

Fiquei a conhecer agora um manifesto que me parece interessante, sobretudo pelas propostas... e propostas que têm necessariamente partir do exterior espectro partidário porque este dificilmente remodelará um sistema que convém a quem gosta de poucas surpresas políticas. Genericamente, defende abertura dos partidos (primárias, eleições de listas abertas em vez das actuais fechadas, ...), a abertura da Assembleia da República a candidaturas independentes e igualdade no acesso e transparência do processo eleitoral.

 

Para que se perceba a importância de outras dinâmicas democráticas, pense-se na surpresa Obama em 2008. Umas eleições que pareciam destinadas a Hillary Clinton e seriam senão existissem primárias nos EUA... inclusivé, no lado republicano, McCain seria também ele uma surpresa. Em certa parte, o povo americano via um sistema partidário/político desacreditado em 2008 após 8 anos de Bush... a diferença? Um sistema que lhes permite definir, pelo menos em parte, os candidatos a presidente.

 

escrito por João Saro às 18:49
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Sexta-feira, 8 de Março de 2013

(Boas) Leituras

Sobre a morte de Chavez:

 

"Santo Chávez e o pecado da soberba", por Daniel Oliveira no Arrastão.org

 

"Na Morte de Chavez", Bernardo Pires de Lima no DN e União de Facto

 

Sobre... nem sei bem o quê... uma generalidades camilenses sobre a utilidade:

 

"Os inúteis dos Camilos", por Tiago Moreira Ramalho no seu novo poiso Malconfort

 

É quase impossível chegar aos calcanhares do Medina Carreira (o mestre desta arte), mas estas simplicidades falsas de pensamento dos Camilos é confrangedora. O pecado capital do Camilo no tal vídeo é o mesmo quando ele acerta que nem todos os licenciados em História podem ser professores de história. Verdade, verdadinha, mas daí a desqualificá-lo passa para o absurdo... porque um "canudo" em História deve servir para muito mais coisas na nossa economia/sociedade.

 

Eu estava aqui a pensar explicar melhor o que penso sobre o assunto, mas boa parte já disse o TMR e tenho outro bom texto sobre o assunto:

 

"Na história", por Rui Tavares no Público

 

Boa parte do vazio político deste governo penso dever-se a este desdém que parece patente na (péssima) comunicação e liderança. Em certa medida, o desprezo pelos políticos que se expressa muitas vezes na rua está expresso igualmente ali. E esta sim, pode ser a "bola de neve" mais perigosa que temos no momento.

 

Sobre as facturas:

 

"Os bufos, as facturas e o meu pastel de nata", por Tiago Moreira Ramanlo no Malconfort (calma, já adicciono ali ao lado daqui a uns dias com direito a post especial)

escrito por João Saro às 14:50
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Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2013

Curiosidade

Sendo que eu já ligava pouco a previsões do governo, estou curioso porque raio o Gaspar veio dizer já em Fevereiro que tinham previsões erradas. 

 

É apenas para irritar?

 

Leituras: "Dois Mistérios", por Pedro Marques Lopes no DN

escrito por João Saro às 19:46
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Sábado, 23 de Fevereiro de 2013

Pires de Lima

A ler: «No meu tempo é que era bom», por Bernardo Pires de Lima

Adoro este tema do "no meu tempo é que era bom", mas ainda dá mais vontade de gostar deste gajo quando continua com este post:

Da Javardice

Em remate ao post anterior, até porque não costumo falar disto. Pertenço (como um dia alguém, simpaticamente, me questionou) a uma família de salazaristas empedernidos. Antepassados do regime, políticos destacados, costados de bem com o que de melhor essas décadas parecem ter proporcionado. Cresci a ouvir histórias sobre as maravilhas desses tempos, as trevas depois de 74, a miséria de país que temos hoje. A minha resposta é sempre a mesma: agradeço muito as lembranças mas javardice por javardice, prefiro as badalhoquices de agora, sempre são da gana de cada um, feitas em liberdade e com liberdade. A começar no direito a sair do país sem a autorização do "esposo" ou na consumação de um casamento com quem nos der na telha, homem ou mulher. Liberdade não é folha de cálculo, é um valor qualitativo.
escrito por João Saro às 17:35
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Sentimentos mistos sobre Grândola (actualizado)

É o novo simbolo de protesto contra o governo.

 

Começou tudo no Parlamento, aquando a intervenção de Pedro Passos Coelho. Começa aqui um certo "mixed-feelings" sobre a discussão que se gerou. Formalmente, parece-me errado alguém, numa democracia, desrespeitar o direito de um político eleito falar na casa que representa a mesma democracia. Os deputados foram eleitos pelo povo ("o povo é quem mais ordena", nas regras democráticas - bem ou mal - estabelecidas) e queriam ouvir alguém que sustentam como líder (?) do governo.

 

No entanto, também não me parece um caso para choque como foi para outros tantos (em menos quantidade, é certo). Manifestações no Parlamento não são inéditas, inclusivé em épocas prósperas, tendo tipo sempre a mesma consequência (evacuação de quem desrespeita)... e nisto, o PPC acerta: sempre é uma das formas melhores de interromper inadequadamente a sessão parlamentar. Não sei se é estratégia pensada, ignorância ou forma de estar, mas neste ponto em particular tem sido exemplar.

 

É uma acção de protesto, não limitou por mais de dois minutos a liberdade de expressão (que formalmente deveria ser respeitada), parece-me algo normal dentro da época delicada que vivemos.

 

Só que este acto replicou-se ao estilo de "Harlem Shake"... ministros e ministros são interrompidos constantemente. Começo a ter que dar razão a quem acha irónico querer calar uma entidade democrática - governo - com Zeca Afonso. Eu não conheci o José, não sei se ele aprovaria este uso da música ou não, mas é aqui que entra algo de que receio nestas acções populares... nem tanto pela acção em si, mas pelo espírito. Já volto a isto.

 

Antes disso, Miguel Relvas foi mesmo calado no ISCTE e penso que agredido. Aqui, já não tenho mixed-feelings... é passar do simbolismo para limitarmos a liberdade de expressão de outros. É que não foi só Miguel Relvas que se viu limitado, foi toda (diria sobretudo) a iniciativa que aconteceu a ali. Infelizmente, não consigo encontrar o vídeo em que José Carvalho dos Santos fala aos manifestantes, mas que fora bastante acertivo sendo algo mais ou menos como isto: «Não temos o direito de limitar a liberdade de expressão de qualquer pessoa, seja ela quem for.»


A aceitação destes actos é uma caixa de pandora que acaba sempre mal.

 

Voltando ao espírito que acho perigoso... é mesmo a aceitação destes actos. É a crença das pessoas em revolucionar algo sem saber o que querem substituir e porquê. A arquictetura da democracia portuguesa pode ser frágil, mas não vejo grande espírito na construção de uma democracia mais profunda... pelo contrário, vejo demasiada intolerância sobre as opiniões dos outros.

 

Nota: Podia ter falado sobre outras liberdades. Aqui falei sobre a liberdade do Miguel Relvas se expressar politicamente com discursos, podia ter falado sobre a liberdade de Miguel Relvas expressar-se a cantar... mas temo que a minha opinião vá contra os meus principios liberais.

 

Adenda

(27 Fevereiro)


Só no início desta semana apanhei a discussão sobre a coisa fora das redes sociais. Estava interessado para saber a opinião de alguns opinadores sobre isto, estava na dúvida sobre a linha que tomariam, mas surpreendeu-me a linha da legitimidade de qualquer tipo de acção e a indignação sobre quem tem reservas (sobretudo no caso ISCTE) chamando de "castas" (os que alertaram para o limite foram sobretudo políticos). Da amostra que li e ouvi, apenas Pedro Mexia disse-me o que parece óbvio (Pedro Marques Lopes também em parte). 

 

Na base da defesa de todas e quaisqueres acções estão dois argumentos... que me parecem bastante fracos. Uma ressalva, no entanto, para um outro factor que posso ter interpretado mal: será que Relvas não pôde intervir no ISCTE? Só vi a reportagem curta da TVI, no entanto, os argumentos foram usados mesmo no caso de uma limitação óbvia. 

 

Argumento 1: "É o Relvas"

 

Não consigo ter uma argumentação muito profunda contra isto. Nem que fosse o Hitler, até eu defendo a livre circulação do Mein Kampf... defendo tudo até ao ponto que não restrinjam as liberdades dos outros. Acho até saudável porque só tenho hipótese de convencer/argumentar o contrário se os outros tiverem liberdade de dizerem o que acham. E existem muitos tabus por aí.

 

É uma questão de princípio, mas também pragmática... não é a impedir que falem em algum sítio que vão parar qualquer ideia idiota, pelo contrário.

 

Sobre o facto de ele já não dever estar naquele cargo, é um outro ponto, mas que vou abordar na conclusão.

 

Argumento 2: "Ele não foi silenciado, ele fala nos media quando quer"


É tal e qual como, numa discussão de amigos num café, impedir de falar alguém porque quando chegares a casa podes opinar no facebook para muito mais pessoas. Este argumento foi o usado mais a sério por opinadores que defendem direitos até ao fim. Vamos lá ver, eu não estou preocupado do "coitadinho" do Relvas ver a sua liberdade de expressão no geral limitada... ele não passa a coitadinho por esta situação (vamos supor mesmo que foi impedido). Agora, vejo tantos por aí a apelar a principios que gostam de os deixar de parte quando lhes convém.

 

Sobre as outras manifestações, já falei que pouca liberdade retiram e são normais (devem ser encaradas com maturidade e sem excessos de formalismo), mas também me custa que venham argumentar que é um direito inalianável na forma como são feitas. Uma coisa é contextualizar, outra é achar que é um direito inalianável alguém interromper eventos... não falamos de uma manifestação de rua ou manifestações que não interferem com a liberdade dos outros. Parece-me que há aqui uma excitação que está a impedir a defesa óbvio.

 

A excepção

 

Para tudo há sempre uma excepção. É óbvio que há acções que podem transpôr o formalismo/legalidade de forma constante em casos extremos. Senão seriam impossíveis revoluções e situações similares, mas convém haver um propósito... ou passamos ao livre arbitrio de alguns.

 

Relvas continuar como ministro não é motivo para tal? Talvez, mas não me parece que uma acção como a do ISCTE (fazendo o tal suponhamos) tivesse essa finalidade... se tinha, é demasiado fraca. E mesmo que fosse, convém ser uma situação pontual... esse tipo de decisões convém não cair em plena rua (diferente de urnas), portanto mais vale alterar para um sistema democrático mais próximo dos cidadãos.

 

E a grande questão dos nossos tempos: a democracia portuguesa não chegou ao ponto de legitimar actos bem mais revolucionários?

 

Eu talvez esteje um "bocadinho" chateado há um "certo" tempo com o sistema português, mas talvez por razões (ou soluções?) diferentes da maioria. E volto à grande questão que me preocupa, não vejo acções construtivas em muitos lados. As que existem têm pouco suporte. Custa-me que a (única?) coisa mais influente de intervenção política ou popular seja um manifestação "anti-troika" que se auto-contraria quando se transforma numa manifestação apartidária e de contestação sem alvo.

 

Sim, sim, eu também não tenho feito grande coisa.

escrito por João Saro às 16:36
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