Sábado, 9 de Junho de 2012

Quando o problema é mais que o nome

Ainda não percebi a carga de exigência (ou seja lá o que for) metida em cima desta selecção para o Europeu. Num futebol sem criatividade, à espera que individualidades como Ronaldo ou Nani resolvam. O problema é que ter 3 ou 4 jogadores de topo mundial, incluindo o nº 2, não faz uma boa selecção. O grande problema é não ter fio de jogo. O problema ainda maior é quando Alemanha, Holanda e Espanha não são apenas nomes, são selecções bem construídas. Tivemos azar no grupo, temos mais probabilidades de sair do que ficar, mas todos acham que esta selecção tem obrigação de ir bem longe.

 

Artigo a ler de Luis Freitas Lobo, hoje n'A Bola, quando fala na mudança de paradigma do Euro 84 para o Euro 2012. Quando o físico contava muito, tivémos uma selecção com identidade portuguesa de bigodes criativos que se degladiou frente a uma imponente física Alemanha que não tinha muita técnica. Hoje, que a táctica e a técnica imperam, é a Alemanha que a tem...

 

Confesso que esta selecção não me exalta assim tanto. Estarei a apoiar e espero que o óbvio não impere nas quatro linhas... sim, porque a sorte também existe e há que lutar por ela.

 

E antes deste encontro, recordo o último jogo em que "entalámos" a Alemanha. Em 2000, já qualificados para os quartos-de-final, troca-se de onze, dá tempo de substituir até o guarda-redes suplente pelo... de reserva e ainda "espetámos" 3 bolas na baliza de Khan.

 

(avançar para 1.51)
escrito por João Saro às 17:07
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2000... a selecção genuinamente portuguesa

Muitos mais se lembrarão da caminhada portuguesa em 2004 do que a de 2000. Muitos mais se recordarão com maior entusiasmo o jogo frente à Inglaterra no Estádio da Luz do que o jogo, quatro anos antes, em Eindhoven. Não há como negar que o resultado palpável de uma final é melhor que uma meia-final, mas como tenho mais saudades da selecção de 2000...

 

Sejamos sinceros, Scolari teve duas virtudes: a de saber dar a mão à palmatória a tempo (após derrota frente à Grécia na 1ª jornada) colocando o meio-campo do Porto de Mourinho mais rotinado e a de acabar com o fado lusitano sempre à procura de uma desculpa para vitórias morais. Ganhou-se algum estofo de campeão, mas perdeu-se o futebol. Em 2006, ainda houve Maniche e Figo, mas a selecção foi lentamente perdendo brio e identidade.

 

A selecção de 2000, essa era um luxo ainda que sem o tal estofo. Figo, Rui Costa e João Pinto a que se juntou a única revelação de todo o Euro 2000, Nuno Gomes, era um ataque de sonho para o que se pretende de Portugal. Passe curto, jogo bonito e uma equipa à frente de qualquer individualidade. Eles faziam uma verdadeira equipa desde Riade e Lisboa. Paulo Bento esteve com eles, devia fazer todos os possíveis para devolver esta identidade, mas Hugo Viana não faz parte dos seus planos e André Martins parece que é demasiado novo para ele.

 

Estes campeonatos são feitos de muitos "ses", mas não vejo como a selecção de 2004 ou 2006 pode ser melhor que a de 2000. Convenhamos que entre 2002 e 2006, não houve nenhuma grande selecção a nível mundial. Tivesse existido e não havia uma Grécia campeã europeia (sim, eles estavam longe de ser realmente bons para aquilo que fizeram)...

 

Em 2000, havia a França, porventura a Itália seria uma selecção que ainda teríamos dificuldades de enfrentar. Foi Johan Cruijff que disse que a França era a melhor equipa, Portugal a que apresentava o futebol mais bonito. Foi também esta lenda que disse que o mais importante para o Mundial seguinte não era ser candidato mas preservar a identidade. Porque ninguém ligou a Cruijff?

 

Depois de 2000, começaram logo a trocar Nuno Gomes por Pauletas e Hugos Almeidas como se uma selecção fosse o somatório de 11 jogadores. Mais tarde, troca-se Figo, Rui Costa e mesmo Deco por médios não criativos e extremos-avançados. Oh selecção...

 

(Minuto 2:48... é o golo e muito mais, todo um futebol)
escrito por João Saro às 16:48
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