Segunda-feira, 18 de Março de 2013

A grande rivalidade... Federer vs Nadal

 

Um dos melhores sentimentos que tenho é sentir estar a presenciar grandes momentos da história. Vê-los passar no presente e já ter essa noção (poucas vezes a temos). Ter passado a década passada com um pequeno vício chamado ténis deu-me muito prazer por isso. Até mesmo porque a nível nacional, tive muito contacto com a ascenção dos melhores tenistas lusos após uma passagem no deserto.

 

Lá fora, parecia impossível reviver-se momentos como Borg/McEnroe ou Sampras/Agassi. Em 2002, o próprio Sampras saíra com o recorde de Grand Slams (14) e dissera que ia levar muito tempo a aparecer alguém para o bater. Em menos de um ano, Federer começara a sua cruzada e ia sendo um autêntico "papa-slams" até aparecer Nadal. Em 6 anos e um par de dias, ele fez mais do que Sampras fez ao longo de 12 anos. Foram 15 Grand Slams.

 

Mas mais improvável era haver um novo melhor de sempre que a meio da sua carreira começou a rivalidade histórica... que mete em causa o próprio estatuto melhor de sempre. Rafael Nadal e Roger Federer entreteram-se a roubar Slams um ao outro, evitaram-se mutuamente de conquistar um absurdo de títulos (slams e não só) numa era muito mais exigente. A eles juntara-se, mais tarde, Novak Djokovic. Chega a ser ridículo, mas protagonizaram partidas de um nível transcendental. A compilação de pontos que aparece no minuto "6.00" e no minuto "12.30" são um hino a este desporto... o incrível é que lembro-me de pontos melhores que não estão ali.

 

A final de Wimbledon 2008 acabou por ter todos os ingredientes para torná-la num dos melhores momentos desportivos de sempre. Uns dizem que a final Borg-McEnroe foi melhor. Nunca saberemos, apenas sabemos que foram momentos históricos. Uma partida que parecia destinada a ser o que foi quando no match-point final os flash entraram pelo lusco-fusco para dar "hollywoodesco".

 

Infelizmente, parece que já não teremos muitos mais "Federer-Nadal" ao mesmo nível. Ainda não acabou, mas podemos já prestar a homenagem a estes grandes duelos. 

escrito por João Saro às 18:46
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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2012

A minha dívida para com Roddick

 

O adeus de Roddick nos courts acabou de acontecer há instantes, mas foi ele que, há quase 10 anos, me puxou mais para dentro deste desporto. Não foi o meu primeiro idolo no ténis, mas foi o primeiro que acompanhei a par e passo a sua carreira.


Em 2003, ainda no secundário, tinha um horário com uma particularidade às quartas-feiras: tinha apenas duas horas de aulas logo nos primeiros turnos. Às 11 horas e qualquer coisa já estava em casa e foi assim que tive a oportunidade de ficar agarrado ao encontro de ténis com o maior número de jogos no 5º set, pelo menos até então. Do outro lado estava o marroquino Younes El Anayoui, o jogador que tinha visto nas notícias por derrotar o número 1 mundial na ronda anterior. Encontrei o jogo a 5-5 no quinto set e pensei que estivesse prestes a terminar... sabia tanto deste desporto, na altura, que não sabia que na maior parte dos Grand Slams não há tie-break no último set.


E durou, durou... durou tanto que os jogadores fizeram uma pausa para os apanhas-bolas jogarem (vídeo)... e continuou a durar até ao 21-19 (vídeo). Foram mais de duas horas entre a parte que o jogo devia estar a terminar e quando terminou de facto.

 

Eu gostava de ténis antes deste encontro, o meu primeiro ídolo fora Gustavo Kuerten e com ele já vira outros grandes encontros, incluindo duelos com Sampras e Agassi. No entanto, foi este que me fez ir à procura de mais e não ficar à espera da raras vezes que passava na tv ou aparecia nos jornais. Na altura, só havia uma hora de internet por dia, uma eurosport, uma sporttv e as transmissões de ténis eram um bocado mais limitadas pelo tempo. Passei a devorar tudo o que podia das "bolas amarelas".

 

Andy Roddick era a desculpa, tornando-o no meu jogador favorito. Não era o mais dotado já na época (demorei um bocado a perceber isso, mas... não percebia grande coisa do jogo mesmo para além das regras), mas pude então vibrar com a sua melhor época. Arrasou o verão norte-americano e conquistou o Grand Slam em "casa" (vídeo). Foi número 1 mundial desse ano, mas seguiu-se o eterno "número 2" até à aparição de Nadal.

 

Olhando para trás, Roddick teve talvez a carreira que mereceu... apenas uma vez o ténis foi injusto para com ele. O míudo Roddick sempre tivera quatro sonhos: ser número 1, vencer a Taça Davis, vencer o US Open e... vencer Wimbledon. Mereceu ser detentor dos três primeiros, ainda que feitos "efémeros", mas escapou-lhe o último. Talvez até 2009, não pudesse reclamar esse sonho, mas Wimbledon desse ano merecia ser seu... a única vez que fez por merecer derrotar Federer num grande jogo (vídeo). Não conseguiu por uma "unha negra"...

 

Provavelmente, senão fosse Roddick e El Anayoui, iria encontrar noutro encontro a desculpa para seguir afincadamente o ténis, mas talvez tivesse perdido tempo para ver grandes pancadas (video), excelente sentido de humor na derrota (vídeo, vídeo), um desportista que foi várias vezes ao chão e que fez questão de se levantar todas as vezes e muito mais. 

É por isto que fico com uma eterna dívida ao Roddick. Pelo seu humilde exemplo.

escrito por João Saro às 23:03
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Domingo, 17 de Junho de 2012

Nalbandian, não merecias ser recordado por isto...



Tudo está mal nestas imagens. Nalbandian não merecia (pelo menos, o seu talento) e este court, um dos mais bonitos do mundo, também não.


escrito por João Saro às 17:23
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Terça-feira, 10 de Abril de 2012

Quando o Presente faz parte da História

"Os jogadores crescem e começam a ficar maduros por volta dos 25 anos... É assustador pensar no que Leonel Messi pode vir a ser no futebol mundial." Alex Ferguson

 

É sempre difícil comparar eras desportistas em contextos diferentes, mas também é difícil conseguir perceber quando se vê história a acontecer em tempo real. Tal como no ténis é difícil escolher entre Nadal/Federer comparando com Sampras/Agassi, Borg/McEnroe ou Laver, no futebol ainda se treme quando se fala de Messi e deste Barcelona como os melhores de sempre.

 

Será injusto para Maradona ou Pelé que não tiveram de provar as suas capacidades numa era com nível de dificuldade mais elevado, mas a verdade é que Messi prova a cada dia que é capaz de fazer igual num contexto mais difícil. Basta ver o golo mais falado do futebol para perceber que, apesar da genialidade de Maradona, é ridícula a dificuldade colocada pelos ingleses (qualquer equipa mediana hoje colocaria mais, nem que fosse apenas e só pela falta cirúrgica). No futebol como no ténis, os heróis do passado não tiveram a oportunidade ou a necessidade de provar a sua genialidade no actual contexto.

 

Basta pensar que Sampras no virar no milénio pensou que o seu recorde de 14 Grand Slams seria invencível, passada uma década (o tempo que levou a fazer o seu próprio recorde) estava batido pelo mesmo suiço que o travara em 2001 no seu "jardim".

 

Comparar Eras será sempre uma injustiça. Para os antigos pela falta de oportunidades, para os novos porque é sempre difícil aceitar que vemos a história a passar à frente dos nossos olhos.

escrito por João Saro às 00:11
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